9.06.2012

Pés de gigante

Começa assim…
Não podemos ter a certeza de nada. Nada do que damos como certo, nada do que é adquirido, nada de nada. Nada.
Tenho andado a pensar no nada. Depressa tudo vira nada, demora o tempo de abrir uma porta. Abrir, não fechar. Porque o tempo de abrir uma porta é diferente do tempo de fechar uma porta. Não gosto de fechar portas.
Começa assim…
No princípio, de nós, não do mundo. No princípio eramos tudo. Avançamos para o nada, com pés de gigante. Voltamos ao tudo. O nada outra vez. Andamos nesta viagem entre tudo e nada há demasiado tempo.
Um dia a viagem termina, o bilhete perde-se no tempo. Quando jogamos com o tempo, quando tocamos no para sempre… Para sempre é para sempre. Vamos falar no pretérito perfeito.
Um dia a viagem termina. O bilhete perde-se para sempre. O tudo fica numa gaveta. O nada permanece.
Tu gostas do nada. Eu gosto do tudo. Não podemos viajar juntos.
Perdemo-nos para sempre.


Mais uma vez corrosivo. Aguardo pelo sol.







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O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com