2.18.2013

Estupidamente

Estupidamente. Hoje dei por mim a ter esta conversa mais um lugar-comum do dia-a-dia, perguntei a uma amiga querida, então como vai o desemprego?
Estupidamente. Continuamos a conversa, estupidamente continuamos aquela conversa carregada de mágoa, de angústia, de incerteza, de tristeza, conversa de lágrimas nos olhos, de coração apertado, de cabeça tão baixa que devíamos ter vergonha na cara.
Devíamos ter vergonha na cara de ainda querermos dar alguma coisa a este país doente que não quer nada de nós. Somos novas, somos competentes, somos boas no que fazemos, temos vontade de fazer mais, temos a força de uma geração inteira. Estupidamente, temos tudo. E estupidamente não temos nada. Nada.
Dou por mim a faltarem-me as palavras, a inspiração, as ideias, dou por mim a deixar voar tudo o que aprendi. Dou por mim mais magoada que nunca, como se todos os vendavais tivessem passado por aqui e levado tudo.
Estupidamente, esperamos sempre e sempre por tempos melhores. Gerações e gerações acreditam nisto, em tempos melhores.
Eu acredito em flores. As flores sempre foram bonitas.



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6 comentários:

  1. sei do que falas. sei bem do que falas.
    e não há mais nada a dizer... está tudo dito.
    e é triste.

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  2. Chega a ser revoltante...e sim, as flores são sempre bonitas. Muito bonitas, algumas.

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    Respostas
    1. fosse tudo sobre flores... fosse tudo sobre flores.

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  3. Texto simples mas incrivelmente eloquente. Parabéns.

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O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com