9.27.2015

a fronteira. o riso e o esquecimento.

"Qual a fronteira? A mulher que mais amou no mundo (tinha nessa altura trinta anos) dizia-lhe (ele ficava quase desesperado quando a ouvia dizer isso) que só estava presa à vida por um fio muito ténue. Sim, queria viver, a vida dava-lhe imensa alegria, mas sabia ao mesmo tempo que esse quero viver era tecido com os fios com os fios de uma teia de aranha. Bastava tão pouco, tão infinitamente pouco, para se encontrar do outro lado da fronteira, além da qual mais nada tinha sentido: o amor, as convicções, a fé, a história. Todo o mistério da vida humana se contém no facto de ela se desenrolar na proximidade imediata, e até no contacto directo com essa fronteira. Não está separado por quilómetros, mas apenas por um milímetro."

Milan Kundera,
in O Livro do Riso e do Esquecimento.



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