12.06.2012

A verdade de todas as botas

Procuramos botas confortáveis. Esta é a verdade de todas as botas.
Procuramos botas confortáveis e bonitas, botas que nos façam sentir bem, que não magoem, que não façam ferida nos calcanhares ou nos dedos pequeninos dos pés. Esta é a verdade de todas as botas.
Podemos falar de botas e podemos falar de pessoas. As botas não são pessoas, nem as pessoas são botas. Podemos tratar as botas como pessoas, numa versão mais demente de nós mesmos, mas nunca nunca, em dia algum, devemos tratar as pessoas como botas.
As botas um dia gastam-se, a sola fica fininha, a cor desaparece, às vezes cheiram mal. As botas um dia gastam-se, até as nossas botas preferidas um dia vão gastar-se e acabar para todo o sempre no fundo do armário, ou radicalmente, no caixote do lixo ao fundo da nossa rua.
As pessoas, as nossas pessoas preferidas, do outro lado da moeda, numa moeda de botas e pessoas, podem até gastar-se, podem até ficar sem cor, podem até cheirar mal em dias complicados. Mas nunca nunca, em dia algum, devem acabar no caixote do lixo de uma rua qualquer. Não, não as nossas pessoas preferidas.
Continuamos a procurar botas confortáveis, bonitas, que nos façam sentir bem, que não magoem, que não façam ferida nos calcanhares ou nos dedos pequeninos dos pés. Não queremos botas que façam ferida. Essas botas não prestam.
E esta é a verdade de todas as botas.


Botas e pessoas, pessoas e botas.



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O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com