3.28.2012

Fios brancos

Desde sempre tive uma espécie de comoção por estes fios brancos.
Gosto da palavra velho, porque sempre disse velho com carinho. Sinto um enorme respeito pela palavra velho. A palavra velho traz-me boas memórias, boas conversas, bons abraços, bons beijinhos.
Desde sempre tive uma queda para a palavra velho. Gosto de pessoas velhas, gosto de música velha, gosto de roupas velhas, gosto de casas velhas.
Os velhos não têm a inocência dos novos, não têm a vida pela frente, irão morrer mais ou menos dentro de vinte anos. Não têm o vigor no corpo que um dia tiveram, têm dores esquisitas, têm ouvidos ainda mais esquisitos. 
Os velhos são velhos, porque a vida decidiu que temos que ficar velhos.
Ser velho deve ser uma merda. Estes velhos, estes velhos que teimam em ir embora sem avisar.
Não gosto da palavra idoso. Ser idoso é pior que ser velho.
Mas pior que ser idoso, é ser um velho pelo qual ninguém tem respeito, é ser um velho que é deixado para trás, é ser um velho que alguém deixou ali e foi embora sem avisar.
E é por isto que eu gosto dos velhos, é por isto que terei uma eterna comoção.
Gosto das mãos dos velhos, gosto das conversas dos velhos, gosto de conhecer a vida que já foi, gosto da elegância dos fios brancos.
Gosto de todos os senhores e senhoras que gostavam de mim quando eu era pequenina e foram embora sem avisar.





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O meu nome não é Rita Laranja. E gosto de tirar fotografias. amidnightinbuenosaires@gmail.com